Sobre a inconstância do homem moderno

 


No teatro da alma humana, encena-se diariamente um drama que desafia a nossa inteligência: a facilidade com que passamos do fervor das promessas à miséria das nossas quedas. O homem é, por natureza pós-pecado original, um ser inconstante. Prometemos a santidade no altar, mas naufragamos no primeiro contra-tempo do dia. Santo Tomás de Aquino, com sua precisão cirúrgica na Suma Teológica, já nos alertava que a inconstância é um vício oposto à prudência; ela nasce de uma fraqueza da vontade que desiste de um bom propósito ao menor sinal de dificuldade ou atração desordenada. Essa instabilidade não é apenas uma falha de caráter, mas um gravíssimo obstáculo na vida interior. Como ensinava o grande mestre da teologia ascética, Adolphe Tanquerey, a alma inconstante é como uma folha ao vento: gasta uma energia tremenda mudando de direção, mas nunca lança raízes profundas na graça, tornando-se presa fácil para a tibieza.
A inconstância humana é uma realidade intrinseca a sua natureza decaida, por isso há a necessidade da graça divina, a humildade e a perseverança para superá-la. Os grandes santos da Igreja experimentaram e nos ajudam a entendê-la com sua Santa sabedoria. 





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